10 setembro 2012

meia noite e meia

no caminho para casa, a seguir à rotunda grande, há uma paragem de autocarro que à noite parece estranha, por ser tão iluminada no meio do escuro. todos os dias, entre a meia noite e a meia noite e meia, está lá o louco. o louco é alto, barbudo, cabeludo, e encontra conforto para a sua vida de rua naquela paragem, àquela determinada hora da noite. já conheço o louco há que tempos, tenho medo dele, embora no fundo saiba que é inofensivo. vejo-o muitas vezes a subir a minha rua, com o jornal debaixo do braço. eu atravesso sempre para o outro lado. uma vez, há uns seis ou sete anos, estava a curtir com o meu namorado da altura numa ruela escondida, e sai o louco dum prédio em ruínas e estende a mão ao rapaz e diz Olá, eu sou o carlos,
deves pensar que eu estou com uma fixação qualquer com o nome carlos, mas a minha vida anda cheia deles e não estou a inventar,
quando volto dos ensaios à noite, lá está ele, de sobretudo e uma litrosa num saco de plástico, à espera do comboio na paragem do autocarro

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