27 setembro 2012

ora bem

confusa.
com fusa.
com outro fuso horário, relógio biológico, o dia hoje pareceu um sonho, tudo morto, cores mortas, o céu cinzento, o chão cinzento, as caras das pessoas cinzentas, cor de cimento, só o mar estava verde-cinzento misterioso, as três horas no hospital - está tudo bem - passaram como três minutos, ou como se três horas perdidas não fossem nada, eu empoleirada no candeeiro da sala de espera a ver-me sentada numa das cadeiras articuladas, de olhar mortiço e de calma resignada de quem não tem mesmo mais nada para fazer, hoje não havia metro por isso apanhei o eléctrico até à praça da figueira, não paguei bilhete, saí do veículo para o mar de caras cinzentas a fumar cigarros e a beber cafés às nove da manhã, a gola do casaco repuxada, parece que o outono está a chegar, se bem que ainda me finta de vez em quando, ridicularizando as minhas escolhas indumentárias como a malha que a minha avó me fez que levei hoje vestida, andar pela avenida também pareceu-me irreal, pessoas a roçaram no meu braço e eu a não fugir do contacto físico indesejado, a indiferença extrema que se apoderou de mim, agora que penso nisso, é um pouco assustadora,
tudo sem cor, tudo externo a mim,
e pensar que ontem estava viva e nem sabia como

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