30 março 2013

azeitonas

gordas, aqui ao meu lado, mesmo a pedir, ponho uma na boca, trinco com a familiaridade portuguesa o meio, roer o caroço até ficar só mesmo o caroço, deitar fora para outra loiça, recomeça,
caroço loiça recomeça
hoje queria pegar numa guitarra e escrever uns versos, irónico como não me tem apetecido e agora de repente apetece quando não tenho guitarra, de alguma maneira estou a tentar transpor isso para este texto,
estou no porto, gosto do porto, a boa energia generalizada das pessoas do norte envolve-me com generosidade,
energia generalizada generosidade, está bonito isto hoje
estou numa casa de gente que conheci há dois dias e já me ocupam assim um lugar na alma, gente de sorriso genuíno, de Dormem no meu quarto, de Queres mais uma cerveja, de Come estas azeitonas e este paté que o jantar ainda vai demorar, sei que estás com fome, é assim, há gente assim no mundo,
nesta casa há sempre música a dar, quase sempre jazz, dois saxofonistas que vivem juntos, um tem uma clave de sol no braço e uma etiqueta de roupa - não passar a ferro lavar em água fria secar a seco - no abdómen, de manhã - as manhãs começam às duas da tarde nesta casa - está ele em tronco nu a lavar a loiça, pergunta Café?, no seu português holandesado,
as manhãs começam às duas da tarde e as noites terminam às seis da manhã, quando chegámos cá eram três e meia, fomos directo para uma festa da esmae, dark trance a passar, suor, fumo e outros odores no ar do espaço pequeno, gente que cumprimenta com os olhos, esta gente do norte, querem saber quem somos, donde vimos, conversamos um bocado, mesmo sem nos conhecermos, alguma vez isto aconteceria em lisboa, sempre aquele momento incómodo em que o teu olhar se cruza com alguém e rapidamente o desvias, porquê?, nem sabes porquê, pois,
à pala dessa noite de chegada as noites acabam tarde e as manhãs são tardes, quero ver como é que na segunda para acordar às sete e escola e trabalhar, não pensar nisso agora,
há tanta coisa boa a acontecer, deixa-me aproveitar

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