08 abril 2013

verdes, mas chuva

Chiado são luiz santa apolónia chiado são luiz bacalhoeiro chiado são luís marginal casa
Estacionamento manhoso no largo do são carlos, descer e subir e descer e subir outra vez para chegar ao teatro, tu o homem mais bonito à porta, a luz dos teus olhos nas minhas calças amarelas, jazz por todo o lado, cheiro de erva na rua, voltas e voltas nos sentidos obrigatórios, não posso virar aqui porra, castelo de são jorge?, não era bem isso, pizza em santa apolónia, devia mesmo começar uma dietazinha, ou melhor, fazer desporto suficiente para poder comer o que me apetece, vinho, café, mais vinho, histórias de pessoas que partiram os dentes, de volta ao são luiz, 'afinal tenho ajudas de custo', isto hoje é para a festa, bacalhoeiro com mais jazz, uma sala cheia de gente alheia à música, no entanto, basta alguém bater uma palma para desencadear o aplauso educadamente curto, o reconhecimento breve de que, de facto, há ali músicos a tocar, cerveja, não posso beber mais, bebe tu a minha que tenho que conduzir para casa, à meia noite e meia toca o combo da esmae, bora aí, amanhã tenho piano às nove e meia, eu deixo-vos lá e sigo para casa, a rua de só uma direcção do são luiz não me deixa dar sentido ao último beijo, sentir o teu respirar de vinho quente na minha cara, a marginal está deserta, só apanho cinco sinais vermelhos em quarenta e sete, mas começa a chover, vou de vidros abertos de qualquer das maneiras, cheguei, dormir

2 comentários:

mary disse...

a qualidade dos teus textos nunca deixa a desejar! gosto sempre quando cá venho :)

martolas disse...

oh Mary :) obrigada