07 agosto 2013

ir

ir para longe, que nunca é assim tão longe.
mas vou. para uma terra que nem toda a gente tem a certeza geográfica onde fica.
talvez passe a ter um blog de emigrante. provavelmente, não.
ando a esvaziar a minha casa, a oferecer coisas. cruzei-me com uma carta de natal e, num rush de adrenalina de csi fui comparar com aquele postal anónimo que recebi quando vivia na hungria. és tu, mesmo? se és, digo-te já que tentaste disfarçar os teus oitos no postal, mas que os teus Ms denunciaram-te. se és, confirma-me só, por aqui, por mensagem, por sorriso. só para eu dormir tranquila.
vou viver a aventura, aquele clichê. as pessoas olham-me com uma hipocrisia absurda. toda a gente tem vontade de sair daqui, de não saber muito bem o que vai fazer, de partir para a aventura. blhac. mas quando eu digo que vou fazer mesmo isso, as pessoas deixam o espírito indiana jones de lado e começam com irritantes perguntas práticas do género Já tens casa?, Mas já deves ter lá algum trabalho não?, Não conheces lá ninguém?, e eu reúno toda a minha tolerância para aquele sorriso amarelo enquanto respondo Não, Não, Não.
está certo, tens razão, não vou sozinha. é bom. é muito bom, sabes? ter tal certeza dum amor que mudas de país assim.
vou, ah pois vou!

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