03 março 2014

por vezes tenho medo

que fiques para sempre presa no limbo entre os teus dois mundos.
acho que não conversamos o suficiente, pelo menos o suficiente para eu ter a certeza a qual é que pertences agora, ouço sempre pacientemente os últimos dramas e fofocas mas sem nunca conseguir encaixá-los numa visão geral, sempre são acontecimentos desligados, interrompidos por várias semanas de me perguntar Como será que vai esta história, e depois, como não tenho resposta, e também tenho muito que fazer deste lado, esqueço-me, e quando me lembro outra vez, sinto-me mal por nunca mais te ter dito nada e ligo-te. há sempre qualquer coisa que se põe entre nós e acabamos por não falar até surgir uma situação socialmente propícia novamente.
não me leves a peito, porque eu não falo do peito, quer dizer, falo, contigo é sempre, mas sinto-me estranhamente analítica em relação a este assunto, como se me visse de fora a falar sobre ele, um tanto quanto de metafísica,
mas por vezes a matemática fica de lado e tenho medo que fiques para sempre presa no limbo entre os teus dois mundos. bem sei que há tanto que lá ficou, mas também, querida, lá há de ficar. e tu escolheste o deixar o lá e vir para cá. porque és uma mulher que pensa no futuro. que tem objectivos. e, sinceramente, por mais que o (A?)amor nos turve os olhos, nunca te imaginei tanto tempo iludida. novamente, não me leves a mal, nada para mim é ilusão em amar alguém, por mais destrutivo que isso seja. é real. ilusão é, sim, saber que te sujeitas a tratos que não são dignos de ninguém e a mim isso dá-me vontade de bater em alguém. mas não. muitas vezes pensei em ter uma conversa com essa pessoa que te arruina, meu deus, o dramatismo!, mas penso, Não é nada comigo, eu tenho é que saber ouvir, é o melhor que faço. é?
talvez isto tudo não faça nenhum sentido porque entretanto já aconteceu outra reviravolta na telenovela dos dois mundos; se assim for, ignora isto tudo. ou não, porque por aqui sei que me ouves. sei que sabes o que eu sinto.
um dia disse que te amava. nunca tinha dito isso a nenhum amigo e decidi dizer-te no momento mais frágil da nossa relação. minha querida, estamos longe desse ponto agora, obviamente. mas há um vazio aqui dentro pequenino que tende a crescer sempre que não atendes as minhas chamadas, sempre que não dizes porquê, sempre que te esqueces da hora marcada, sempre que dizes Agora não dá jeito. mas como te amo, neste sentido perigosamente forte da palavra, há algo que empurra esse vazio contra as paredes da razão e o torna pequenino, quase invisível.
não te percas entre os dois mundos. fica no que escolheste para ti, desde o início. se não tiveres a certeza, não te preocupes, pequenina. eu acredito em ti.

Nenhum comentário: