18 julho 2018

frustrações

'ainda estou em Hamburgo, porque perdi o avião'
exalou a mulher, a meio da casa dos vinte, vestida de fato, as calças e o blazer azul escuro, a camisa azul clara, um tanto quanto amarrotada, mechas de cabelo loiro a escapar do penteado que sem dúvida há umas horas estava perfeito, uma cara livre de maquilhagem, ou então, apenas o suficiente para não se notar, a alça da mala de porão a servir de cabide improvisado para o sobretudo creme, a maleta do computador tristemente encostada,
olho para o relógio, são oito e dez,
'perdi o avião mas a culpa não foi minha, já liguei ao meu chefe e à minha colega e expliquei esta merda de situação [de realçar que o palavrão não tem uma conotação tão forte em alemão], vim andando até ao portão de embarque e a maneira como organizaram o espaço para as pessoas se sentarem é ridículo, há três portas consecutivas e um grande espaço vazio em frente, e as cadeiras são de lado, em vez de diretamente à frente das portas'
olho à minha volta, estão três vôos prestes a ser embarcados, à volta de trezentas pessoas à espera que o embarque seja anunciado, quase todos estão sentados, deixando o tal espaço vazio livre, com visibilidade para o status do vôo perto dos cem por cento, achei bastante eficiente, como maior parte das coisas na Alemanha,

[deixei de escrever, acaba tu]

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