um ano de namoro e quatro meses de partilha de casa
[e de hábitos, e de comida, e de cama, e de tarefas domésticas, e de novidades, e de problemas, e de]
é fácil acomodar-me
habituar-me ao conforto de te ter sempre comigo e deixar que isso caia na confortável rotina
mas não, não me quero habituar, querido. quero que seja especial, ainda. e é. se parar um bocadinho para pensar, eu sou a mulher mais sortuda do mundo, porque tenho a minha pessoa ao meu lado. porque ainda é especial andarmos de mãos dadas. porque é tão bom dar-te conforto físico e emocional. porque é tão bom recebê-lo de volta.
passou mais de um ano e continuas a ser o rapaz distraído por quem me apaixonei. e este texto pode parecer sem propósito ou interesse, mas tu, meu amor, mereces esta transposição para a escrita do que me vai na alma.
ich liebe dich
14 dezembro 2013
05 dezembro 2013
estilo de vida
aqui é bem diferente
às quatro é noite cerrada e já não conduzo há que tempos, as compras são feitas de bicicleta, qualquer destino é consultado numa aplicação de transportes que me diz exactamente quanto tempo demoro a lá chegar, estou a trabalhar numa área que não é a minha, e, isto é que me choca - daí o novo parágrafo -
estou a trabalhar na cozinha de um restaurante, tenho bolhas rebentadas, cortes, aqueles dedos enrugados de estar demasiado tempo no banho e umas mãos que não serão bonitas nos próximos tempos. sim, sou formada para uma área completamente diferente, muito mais específica, muito mais gratificante. mas, enquanto não dominar esta língua, é isto que me paga a renda.
(estou a emancipar-me e ainda nem tinha percebido)
agora sim, o que me choca:
o ano passado trabalhei dentro da minha área, a fazer exactamente o que sou formada para fazer. a diferença do que me pagam agora, na cozinha de um restaurante, e o que me pagavam então? um euro. e mais, não há aqui horas extras que não sejam pagas, os turnos são trocáveis quando eu quiser, não há tretas de dias de férias fixos e condicionados. e há gorjetas por cada dia que trabalho à volta dos quinze, vinte euros. e comer o que quiser, quando quiser, também.
nunca aqui senti que não respeitava o meu superior. nunca aqui me senti injustiçada ou a trabalhar à borla ou que o meu trabalho, por mais básico que seja, não seja apreciado.
pronto, já resmunguei.
e agora, a previsão meteorológica é furacão para Hamburgo. vou pôr quilos de arroz nos bolsos para não voar.
às quatro é noite cerrada e já não conduzo há que tempos, as compras são feitas de bicicleta, qualquer destino é consultado numa aplicação de transportes que me diz exactamente quanto tempo demoro a lá chegar, estou a trabalhar numa área que não é a minha, e, isto é que me choca - daí o novo parágrafo -
estou a trabalhar na cozinha de um restaurante, tenho bolhas rebentadas, cortes, aqueles dedos enrugados de estar demasiado tempo no banho e umas mãos que não serão bonitas nos próximos tempos. sim, sou formada para uma área completamente diferente, muito mais específica, muito mais gratificante. mas, enquanto não dominar esta língua, é isto que me paga a renda.
(estou a emancipar-me e ainda nem tinha percebido)
agora sim, o que me choca:
o ano passado trabalhei dentro da minha área, a fazer exactamente o que sou formada para fazer. a diferença do que me pagam agora, na cozinha de um restaurante, e o que me pagavam então? um euro. e mais, não há aqui horas extras que não sejam pagas, os turnos são trocáveis quando eu quiser, não há tretas de dias de férias fixos e condicionados. e há gorjetas por cada dia que trabalho à volta dos quinze, vinte euros. e comer o que quiser, quando quiser, também.
nunca aqui senti que não respeitava o meu superior. nunca aqui me senti injustiçada ou a trabalhar à borla ou que o meu trabalho, por mais básico que seja, não seja apreciado.
pronto, já resmunguei.
e agora, a previsão meteorológica é furacão para Hamburgo. vou pôr quilos de arroz nos bolsos para não voar.
29 outubro 2013
efémero
depositar a nossa vida na crença de uma existência conjunta
porque é diferente
porque é especial
porque nunca me senti assim
quem está de fora sorri, mesmo não acreditando mas sabendo que com o tempo pode vir a acreditar. na realidade:
efémero.
dói. ah, pois dói.
mas somos um antes de sermos um mais um e, se fizermos uma pausa à nossa dor porque enquanto estamos nela, turva-nos os olhos, aperta-nos a garganta, enche-nos a cabeça, já chegámos muito longe sendo só um. sem precisar da soma.
eu tenho sorte, muita sorte. arrisco-me a dizer que é desta.
mas para quem ainda não encontrou, porque vais encontrar, respira. um dia tiram-te o chão debaixo dos pés e tudo isto se revela o que é: efémero.
porque é diferente
porque é especial
porque nunca me senti assim
quem está de fora sorri, mesmo não acreditando mas sabendo que com o tempo pode vir a acreditar. na realidade:
efémero.
dói. ah, pois dói.
mas somos um antes de sermos um mais um e, se fizermos uma pausa à nossa dor porque enquanto estamos nela, turva-nos os olhos, aperta-nos a garganta, enche-nos a cabeça, já chegámos muito longe sendo só um. sem precisar da soma.
eu tenho sorte, muita sorte. arrisco-me a dizer que é desta.
mas para quem ainda não encontrou, porque vais encontrar, respira. um dia tiram-te o chão debaixo dos pés e tudo isto se revela o que é: efémero.
19 outubro 2013
amanhã já não é nada
sufoca-me um bocadinho, sozinha nesta cidade, tu tens a cabeça ocupada e eu tenho a minha desocupada, quando chegas a casa só quero que me ocupes mas acabo sempre por expressar a minha urgência por ocupação da maneira errada e acordamos cada um virado para o seu lado, a meio do dia damos tréguas mas já saíste, e eu, eu não saio muito, fico sufocada aqui, e sufoco a andar sozinha nas ruas também, sei que não gostas do dramatismo, quem me dera ser menos, mas escrever na tua ausência ajuda-me a clarificar os meus pensamentos, não fui talhada para estar em casa e vim para cá contigo, fica comigo então, mesmo quando não estás, fica, é sempre melhor quando ficas, que merda este nó na garganta, preguiça de apanhar a roupa, de pensar no jantar, que faço eu, bolas
05 outubro 2013
hamburgo
(não, não está assim tão frio)
um dia estávamos às três da manhã no pátio da tua casa na margem sul, dormimos, acho que fui só eu, meia hora e fomos para o aeroporto, duas grandes malas, uma mochila, uma trompa e uma guitarra, os casacos mais pesados vestidos porque já não cabiam, apesar de mesmo assim nos termos tido, ai jesus a conjugação, que sentar em cima delas para fecharem, as malas, nesse dia estivemos na margem sul, no aeroporto da portela, no aeroporto de bruxelas, nas cadeiras reclináveis a fazer propaganda duma marca de cadeiras reclináveis no aeroporto de bruxelas, no aeroporto de hamburgo, metro até ao centro, casa dos amigos, jantar e cama
passados cinco dias não tínhamos casa, não tínhamos muito dinheiro e os nossos amigos revelaram-se não tão amigos, acho que é um bocado injusto dizer isto, provavelmente fomos nós que nos acomodámos e quando te acomodas num apartamento que é para duas pessoas e são quatro, bem, acho que te começas a revelar não tão amigo, tínhamos que sair dia 1, era dia 30 e nós, mais tu que eu, optimistas, acordámos com o feeling que era hoje que íamos encontrar a casa, depois da banhada que o outro nos queria dar e depois da casa não mobilada com uma casa de banho maior que o quarto, sem contar com a incessante e inútil busca que vínhamos a perseguir há três meses,
digo-te já, é um inferno encontrar casa, são caras, são vazias, são 1000 euros de depósito, são mais outros 1000 para a mobília, são o desespero em forma de casa,
dia 1 chegou e estávamos preparados para ir para a casa dum amigo dum amigo dum amigo do nosso amigo, longe, um anexo mobilado q.b, a uma hora de transportes de hamburgo, as malas fechadas, a confusão da sala onde ficámos contida, o tomás foi ter uma aula e eu fui ver uma casa, que estava para arrendar durante um mês apenas,
perdi-me a lá chegar, apercebi-me que era melhor ter ido a pé do que de metro, à porta para me receber uma jovem mãe com um bebé a tiracolo, um quarto, uma cozinha minimamente, é só por um mês porque vem a amiga depois, e eu, Não temos onde ficar hoje, pena que não estavas lá, fazias aqueles teus olhos, saí de lá com um bom feeling,
três horas de sufoco em casa à espera que ela nos ligue, ligou, fomos, cá estamos, instalados mas não demasiado, a fazer a reciclagem como deve ser porque aqui na alemanha multam essas cenas, eu a planear jantares, que saudades de viver contigo, laura!, a depilar-me com bandas na casa de banho, n'há cá mistérios, com preguiça agora de fazer o jantar porque é só para mim, ele foi jantar com os tugas da universidade, numa cena só de gajos, playstation, provavelmente,
hoje vimos outra casa e acho que é esta, precisamos de comprar uma cama, mas pelo menos temos tempo para construir a nossa casa porque não temos que sair nem pró mês nem pró ano que vem, ufa, ao menos isso, é central, não é cara, é pequena, mas chega para nós os dois e para que quiser vir dormir no sofá-cama que ainda não existe
tem estado sol, não muito frio
um dia estávamos às três da manhã no pátio da tua casa na margem sul, dormimos, acho que fui só eu, meia hora e fomos para o aeroporto, duas grandes malas, uma mochila, uma trompa e uma guitarra, os casacos mais pesados vestidos porque já não cabiam, apesar de mesmo assim nos termos tido, ai jesus a conjugação, que sentar em cima delas para fecharem, as malas, nesse dia estivemos na margem sul, no aeroporto da portela, no aeroporto de bruxelas, nas cadeiras reclináveis a fazer propaganda duma marca de cadeiras reclináveis no aeroporto de bruxelas, no aeroporto de hamburgo, metro até ao centro, casa dos amigos, jantar e cama
passados cinco dias não tínhamos casa, não tínhamos muito dinheiro e os nossos amigos revelaram-se não tão amigos, acho que é um bocado injusto dizer isto, provavelmente fomos nós que nos acomodámos e quando te acomodas num apartamento que é para duas pessoas e são quatro, bem, acho que te começas a revelar não tão amigo, tínhamos que sair dia 1, era dia 30 e nós, mais tu que eu, optimistas, acordámos com o feeling que era hoje que íamos encontrar a casa, depois da banhada que o outro nos queria dar e depois da casa não mobilada com uma casa de banho maior que o quarto, sem contar com a incessante e inútil busca que vínhamos a perseguir há três meses,
digo-te já, é um inferno encontrar casa, são caras, são vazias, são 1000 euros de depósito, são mais outros 1000 para a mobília, são o desespero em forma de casa,
dia 1 chegou e estávamos preparados para ir para a casa dum amigo dum amigo dum amigo do nosso amigo, longe, um anexo mobilado q.b, a uma hora de transportes de hamburgo, as malas fechadas, a confusão da sala onde ficámos contida, o tomás foi ter uma aula e eu fui ver uma casa, que estava para arrendar durante um mês apenas,
perdi-me a lá chegar, apercebi-me que era melhor ter ido a pé do que de metro, à porta para me receber uma jovem mãe com um bebé a tiracolo, um quarto, uma cozinha minimamente, é só por um mês porque vem a amiga depois, e eu, Não temos onde ficar hoje, pena que não estavas lá, fazias aqueles teus olhos, saí de lá com um bom feeling,
três horas de sufoco em casa à espera que ela nos ligue, ligou, fomos, cá estamos, instalados mas não demasiado, a fazer a reciclagem como deve ser porque aqui na alemanha multam essas cenas, eu a planear jantares, que saudades de viver contigo, laura!, a depilar-me com bandas na casa de banho, n'há cá mistérios, com preguiça agora de fazer o jantar porque é só para mim, ele foi jantar com os tugas da universidade, numa cena só de gajos, playstation, provavelmente,
hoje vimos outra casa e acho que é esta, precisamos de comprar uma cama, mas pelo menos temos tempo para construir a nossa casa porque não temos que sair nem pró mês nem pró ano que vem, ufa, ao menos isso, é central, não é cara, é pequena, mas chega para nós os dois e para que quiser vir dormir no sofá-cama que ainda não existe
tem estado sol, não muito frio
18 agosto 2013
alvorada
nada de trompetes nem gritos, foi só chegar a casa tarde e ainda ver um episódio ou dois, cansados, nas frestas da persiana os primeiros raios do dia a passar, se calhar é melhor dormirmos agora,
casa, esta casa que já é minha, vamos às compras juntos e planeamos jantares, tudo sem horas marcadas e tudo sujeito ao nosso prazer, se a nossa preguiça dita que só almoçamos às quatro é isso mesmo que acontece, porque estamos de férias e sabe tão bem, sabes-me tão bem, tu, aqui deitado nu ao meu lado, meu amor,
casa, esta casa que já é minha, vamos às compras juntos e planeamos jantares, tudo sem horas marcadas e tudo sujeito ao nosso prazer, se a nossa preguiça dita que só almoçamos às quatro é isso mesmo que acontece, porque estamos de férias e sabe tão bem, sabes-me tão bem, tu, aqui deitado nu ao meu lado, meu amor,
08 agosto 2013
nortada
esfoliação natural, é o que isto é, bem me diz a rodinka, a romena da depilação que 'tu tens muitos pêlos encravados, tens que fazer esfoliação', rodi, se me visses hoje a fazer a vontade ao cão da minha amiga, nada contra cães, por sinal, senão ainda me caem em cima a favor dos cães, como a favor daquele cão, o que é que ele fez mesmo? ah, matou um bebé, mas graças a deus que foi absolvido no tribunal e que agora foi rebaptizado de mandela, fica no ouvido, mandela, o cão homicida, mas o fox, que é o cão da minha amiga, é querido, tem umas unhas que me deixaram as pernas, olha, sem pêlos!, é bebé e é histérico e ainda não matou nenhuma pessoa, mas para fazer a vontade ao cão lá fomos para o guincho as duas, quer dizer, não é bem o guincho, é uma praiazinha não vigiada antes de lá chegar, eu ao telefone, Oh tess, olha que aqui na varanda do meu oitavo andar está um bocado de vento, achas que é boa ideia ir ao guincho? ela, Sim, tem tado bom, ficamos entre as rochas, e eu, Tá bem, que fartinha de estar em casa estou eu, lá fomos, quando saímos do carro quase que fui abaixo com a primeira rajada de vento, está certo, engordei um bocado, mas veio tudo para a barriga - o que só contradiz a teoria que vou expôr, a de que o meu centro de equilíbrio está mais frágil, não está, está bom, banha, lá fomos encosta abaixo, e foram duas belas horas a comer areia de todas as maneiras e direcções, o cão estava contente, ao menos isso, parecíamos um casal de lésbicas com o cão na praia quase deserta, disse-lhe isto e rimo-nos as duas um bocado, ainda fomos ao santini aturar a fila para um gelado, valeu a pena, vale sempre, o rapazote a servir-me meio embasbacado com as duas miúdas giras da fila, não, não éramos nós, a tess ficou lá fora com o cão, vê lá se prestas atenção às coisas, a comentar entredentes com o colega Ai deixa tar que eu atendo, com a minha bola de gelado a derreter naqueles colheres especiais do gelado que eu não sei o nome, e eu, Mas importas-te de trabalhar, ó meu, mas só na minha cabeça, quando ele me dá o gelado eu, Obrigada, e depois, otário, dentro da minha cabeça, chamem-me má pessoa, a sério, não chames, mas eu gosto desta raivazinha interior que por vezes me alimenta, mesmo depois do banho ainda coço a cabeça e é só areia a sair-me do couro cabeludo
07 agosto 2013
ir
ir para longe, que nunca é assim tão longe.
mas vou. para uma terra que nem toda a gente tem a certeza geográfica onde fica.
talvez passe a ter um blog de emigrante. provavelmente, não.
ando a esvaziar a minha casa, a oferecer coisas. cruzei-me com uma carta de natal e, num rush de adrenalina de csi fui comparar com aquele postal anónimo que recebi quando vivia na hungria. és tu, mesmo? se és, digo-te já que tentaste disfarçar os teus oitos no postal, mas que os teus Ms denunciaram-te. se és, confirma-me só, por aqui, por mensagem, por sorriso. só para eu dormir tranquila.
vou viver a aventura, aquele clichê. as pessoas olham-me com uma hipocrisia absurda. toda a gente tem vontade de sair daqui, de não saber muito bem o que vai fazer, de partir para a aventura. blhac. mas quando eu digo que vou fazer mesmo isso, as pessoas deixam o espírito indiana jones de lado e começam com irritantes perguntas práticas do género Já tens casa?, Mas já deves ter lá algum trabalho não?, Não conheces lá ninguém?, e eu reúno toda a minha tolerância para aquele sorriso amarelo enquanto respondo Não, Não, Não.
está certo, tens razão, não vou sozinha. é bom. é muito bom, sabes? ter tal certeza dum amor que mudas de país assim.
vou, ah pois vou!
mas vou. para uma terra que nem toda a gente tem a certeza geográfica onde fica.
talvez passe a ter um blog de emigrante. provavelmente, não.
ando a esvaziar a minha casa, a oferecer coisas. cruzei-me com uma carta de natal e, num rush de adrenalina de csi fui comparar com aquele postal anónimo que recebi quando vivia na hungria. és tu, mesmo? se és, digo-te já que tentaste disfarçar os teus oitos no postal, mas que os teus Ms denunciaram-te. se és, confirma-me só, por aqui, por mensagem, por sorriso. só para eu dormir tranquila.
vou viver a aventura, aquele clichê. as pessoas olham-me com uma hipocrisia absurda. toda a gente tem vontade de sair daqui, de não saber muito bem o que vai fazer, de partir para a aventura. blhac. mas quando eu digo que vou fazer mesmo isso, as pessoas deixam o espírito indiana jones de lado e começam com irritantes perguntas práticas do género Já tens casa?, Mas já deves ter lá algum trabalho não?, Não conheces lá ninguém?, e eu reúno toda a minha tolerância para aquele sorriso amarelo enquanto respondo Não, Não, Não.
está certo, tens razão, não vou sozinha. é bom. é muito bom, sabes? ter tal certeza dum amor que mudas de país assim.
vou, ah pois vou!
25 julho 2013
voltar
voltar
de duas semanas de digressão pelo país com os treze mais queridos, duas cantorias em lisboa, uma muito boa outra muito má, ala para santo andré, pela nacional nunca mais lá chegamos, chegámos!, praia às nove da noite, nuvens de mosquitos nas minhas pernas brancas, imperial, casinha de sempre (podias ver abaixo a descrição, mas acho que esse texto já foi), correria para sines, concerto, chave do carro encravada, ai merda, siga para lagos, nacional à beira-mar, Aqui ninguém diormie!, diz o madeirense, vamos, vamos, casa, ala pràs ferreiras comer a melhor dourada da minha vida, concerto, bebida em excesso antes do outro, correu bem, mais um, em lagos, lacobrigense, lisboa lavar a roupa suja, guimarães e o pernil de peru da mãe da marisa, concerto - paço dos duques, válega, meia hora à espera no apeadeiro no meio do nada, concerto, dormir três horas em lisboa e primeiro vôo da manhã para a madeira, madeira!, que coisa linda, calor, mata atlântica como no brasil, bananas, licor de maracujá, poncha, ai jasus, concerto, volta à ilha, correria para o aeroporto, embarcar nos últimos três minutos, chegar a lisboa, segunda circular, bahh
voltar
de duas semanas de digressão pelo país com os treze mais queridos, duas cantorias em lisboa, uma muito boa outra muito má, ala para santo andré, pela nacional nunca mais lá chegamos, chegámos!, praia às nove da noite, nuvens de mosquitos nas minhas pernas brancas, imperial, casinha de sempre (podias ver abaixo a descrição, mas acho que esse texto já foi), correria para sines, concerto, chave do carro encravada, ai merda, siga para lagos, nacional à beira-mar, Aqui ninguém diormie!, diz o madeirense, vamos, vamos, casa, ala pràs ferreiras comer a melhor dourada da minha vida, concerto, bebida em excesso antes do outro, correu bem, mais um, em lagos, lacobrigense, lisboa lavar a roupa suja, guimarães e o pernil de peru da mãe da marisa, concerto - paço dos duques, válega, meia hora à espera no apeadeiro no meio do nada, concerto, dormir três horas em lisboa e primeiro vôo da manhã para a madeira, madeira!, que coisa linda, calor, mata atlântica como no brasil, bananas, licor de maracujá, poncha, ai jasus, concerto, volta à ilha, correria para o aeroporto, embarcar nos últimos três minutos, chegar a lisboa, segunda circular, bahh
voltar
29 junho 2013
três, quatro anos numa aragem
e agora
nunca mais ciganos de algés, Olhá bófia, olhá bófia!, nunca mais 750 malcheiroso no inverno, no verão, à tarde e à noite, nunca mais escolher o melhor trance que tenho para descer a rampa de terra, nunca mais a rampa de terra, nem a outra, essa demoras logo mais 5 minutos, totó, nunca mais o acenar para alguém sempre conhecido na esplanada, nunca mais carlos caires cravar-me isqueiro, nunca mais pinho vargas dizer-me adeus, nunca mais cristina brito da cruz a contar que teve que preencher 354 inquéritos, nunca mais a carla do bar Bom dia, Martinha, então o teu Tomás, nunca mais grelhados todo o santo dia, nunca mais a calma pachorrenta dum elefante anestesiado da sara da reprografia, nunca mais lutar pela cordialidade com o segurança para conseguir uma sala, nunca mais pensar where the fuck is this room?!, nunca mais acenar à inês robert e ela saber o meu nome, nunca mais elogiar o cabelo da dona rosa para conseguir o comprovativo a tempo, nunca mais escaldões na esplanada, nunca mais amarelo parede corredor comprido, nunca mais ir ao piso s, nunca mais senhor vítor a oferecer-me água no elevador, nunca mais viagem de elevador de 57 segundos para chegar ao dois, nunca mais gritar Elevador! quando ainda vou no corredor, nunca mais pagar as propinas a horas, nunca mais burocracias, nunca mais esperar que ensaios da sinfónica terminem,
licenciada, fogo
06 junho 2013
sem acentos
um dia tomas a decisao dizes que sim imprimes o papel preenches tudo direitinho com montes de duvidas tiras fotocopias das coisas importantes fazes traducoes rascas disso juntas tudo num molhe e envias
recebes uma carta em alemao stressas porque nao percebes nada traduzes percebes que e uma especie de relutante sim
andas no vai nao vai para falar com musicos decentes gravas uma boa maquete com boa filmagem e envias
recebes outra carta em alemao a dizer que sim mas cuidado porque tens que saber alemao ate daqui a um mes pesquisas cursos e nao ha nada abaixo dos quatrocentos euros e desistes depois la aparece uma excepcao na qual te podes enfiar escondes-te ai com todo o prazer
pagas um bilhete de aviao ficas em casa de pessoas que ate nao conheces muito bem mas que te acolhem como uma princesa
concentras-te das o teu melhor que derivado aos nervos nao foi perfeito e apercebes-te que passaste todas as fases estas na ronda final frente a frente com uma unica concorrente duas pessoas para uma vaga
e ficas em segundo.
recebes uma carta em alemao stressas porque nao percebes nada traduzes percebes que e uma especie de relutante sim
andas no vai nao vai para falar com musicos decentes gravas uma boa maquete com boa filmagem e envias
recebes outra carta em alemao a dizer que sim mas cuidado porque tens que saber alemao ate daqui a um mes pesquisas cursos e nao ha nada abaixo dos quatrocentos euros e desistes depois la aparece uma excepcao na qual te podes enfiar escondes-te ai com todo o prazer
pagas um bilhete de aviao ficas em casa de pessoas que ate nao conheces muito bem mas que te acolhem como uma princesa
concentras-te das o teu melhor que derivado aos nervos nao foi perfeito e apercebes-te que passaste todas as fases estas na ronda final frente a frente com uma unica concorrente duas pessoas para uma vaga
e ficas em segundo.
30 maio 2013
amor
vamos fazê-lo
teu beijo inocentemente a despertar-me arrepios em zonas remotas do meu corpo, de um momento para o outro passa de inocente a urgente, os teus olhos a prender os meus, agarra-me com mais força, beija-me mais, passa a tua mão nas minhas costas, aperta, deixa-me ver os teus olhos semicerrados em antecipação do prazer, tenho sempre aquele pensamento utópico e cinematográfico que me vais desabotoar a camisa, botão a botão, isso nunca acontece, a ânsia de te (me) (nos) ter é mais do que isso, despes-me furioso, na verdade, eu também quero que seja assim, não tenho paciência para a espera, beijas-me agora mais para te manteres em contacto comigo enquanto tiras a última peça de roupa que te prende a erecção, já estás glorioso assim, olhas para mim, o mundo pára, o tempo pára, o teu beijo é doce enquanto vens, finalmente, para dentro de mim, devagar, preenche-me, suspiramos os dois com a familiaridade da sensação, para mim o clímax é este momento, eu cheia de ti, tu rendido a mim
teu beijo inocentemente a despertar-me arrepios em zonas remotas do meu corpo, de um momento para o outro passa de inocente a urgente, os teus olhos a prender os meus, agarra-me com mais força, beija-me mais, passa a tua mão nas minhas costas, aperta, deixa-me ver os teus olhos semicerrados em antecipação do prazer, tenho sempre aquele pensamento utópico e cinematográfico que me vais desabotoar a camisa, botão a botão, isso nunca acontece, a ânsia de te (me) (nos) ter é mais do que isso, despes-me furioso, na verdade, eu também quero que seja assim, não tenho paciência para a espera, beijas-me agora mais para te manteres em contacto comigo enquanto tiras a última peça de roupa que te prende a erecção, já estás glorioso assim, olhas para mim, o mundo pára, o tempo pára, o teu beijo é doce enquanto vens, finalmente, para dentro de mim, devagar, preenche-me, suspiramos os dois com a familiaridade da sensação, para mim o clímax é este momento, eu cheia de ti, tu rendido a mim
27 maio 2013
aniversário
tudo parece impossível, hormonas a atacar-me o choro, só quero é chorar, sabes, nem sei bem porquê e isso não interessa nada, deixar cair, gordas, uma a uma, depois quatro a quatro, depois fico com a respiração presa nos soluços da garganta, rímel num rio preto pelas minhas bochechas afora, sabe bem, de maneira sadisticamente estranha, sabe bem,
durante praí 3 segundos
depois respiro, inspiro, expiro, controlo, o último soluço pensa melhor e volta para trás, estás a falar comigo e eu continuo com vontade de chorar, mas menos, pouco a pouco vai desaparecendo, aparece-me o primeiro sorriso na cara, a gargalhada da tua piada criativa, e de repente,
já está
o meu dia de anos que parecia ter sido uma porcaria afinal foi bom, acabei-o com uma coisa boa dentro de mim, e é nisto que penso, és o tipo de homem que me dá a volta ao humor no meu dia de anos no pico do meu ciclo menstrual, opá, casa-te já comigo
durante praí 3 segundos
depois respiro, inspiro, expiro, controlo, o último soluço pensa melhor e volta para trás, estás a falar comigo e eu continuo com vontade de chorar, mas menos, pouco a pouco vai desaparecendo, aparece-me o primeiro sorriso na cara, a gargalhada da tua piada criativa, e de repente,
já está
o meu dia de anos que parecia ter sido uma porcaria afinal foi bom, acabei-o com uma coisa boa dentro de mim, e é nisto que penso, és o tipo de homem que me dá a volta ao humor no meu dia de anos no pico do meu ciclo menstrual, opá, casa-te já comigo
14 maio 2013
dormir
herdar da minha mãe as insónias, acordo às quatro e obrigo-me a dormir mas é tarefa redundante e impossível, como obrigar-me a deixar de pensar numa coisa, como, se estou a pensar nela? (Duvido que consigas pensar em nada, Claro que consigo, Então?, Já está, Como é?, Assim uma parede branca enorme, Então não estás a pensar em nada, estás a pensar numa parede branca), levanto-me enfim depois de quatro horas inúteis de repouso fingido, mãos de manteiga ao pequeno almoço, a compota de morango em queda livre para o chão, o micro ataque cardíaco que isso me dá, não parte, está tudo bem, dói-me a barriga, assim, de lado, mil ensaios hoje, não sei nada, estudar, daqui a um mês sou licenciada, fogo
20 abril 2013
sobre a primavera
primeiro (pequeno) almoço na varanda
limonada fresquinha
o teu cabelo húmido em jeito de galã italiano, do suor dos nossos corpos
o primeiro cigarro do dia dá aquele estalo
o encaixe de mim em ti no sofá da tua sala
eu a fazer uma omelete - com muita cebola - com o teu pijama vestido, como nos filmes, tás a ver, mas com a ponta da t-shirt a passar por dentro da gola para ficar com a barriga à mostra como fazíamos na primária para brincar às spice girls ou aos adolescentes,
a intimidade suprema que é fazer-te a barba, o cuidado que tenho que ter porque sei que a boca é o teu instrumento de trabalho, eu sentada no teu colo, uma vez para baixo, uma vez para cima e a última vez só com água para baixo,
sair ao fim da tarde, cheirar a bom, a primavera, chegar aos sítios de dizer bom dia, são oito da noite, mas está tudo bem
12 abril 2013
não sei pôr normal
aquele post de baixo, a formatação incomoda-me, mas também não sei mudar
a formatação incomoda-me?
sim.
não posso ter dias iguais, formatados, senão dou em doida, é bom despachar tudo assim numa manhã de sexta-feira, preparar aulas, lidar com burocracias aborrecidas, tratar do passaporte - deixa-me meter-te nojo: vou à turquia cantar a 8ª de mahler, ainda ter três horas de aulas que afinal foram uma e meia que afinal foram os cinco minutos do fim em que apresentei o que tinha a apresentar, só me faltou mesmo dar uma corrida, ou ir à natação, mas que se lixe, precisava mais de dormir do que de correr, caham caham, enfim, fazer isto tudo de manhã para amanhã poder ter um dia em que não penso em nada e não faço nada, amo só, é tão bom - o amor e este dia de pausa, devias experimentar, até parece que respiras melhor, estou com medo de falar demasiado cedo, mas parece que a primavera chegou, why do I have spring fever, when I know it isn't spring, pumba, assim já cá vêm parar mais quatro pessoas que não sabem o nome deste tema mas sabem um bocadinho da letra, google search, já estavas, começam a ler e ainda me visitam mais vezes, seja bem-vindo, com todo o calor brasileiro, hoje sinto-me mais, fui fazer o passaporte e parecia que era mesmo como a minha mãe me dizia quando era pequena: apesar de estares no meio de lisboa, este sítio é um bocadinho do brasil, eu não percebia muito bem, mas acreditava, é a minha mãe, bolas, foi um pouco estranho falar com sotaque de cá com toda a gente que lá estava, mas é assim, esta trinacionalidade tem destas coisas, pronto, agora vou começar a não fazer nada, até logo
a formatação incomoda-me?
sim.
não posso ter dias iguais, formatados, senão dou em doida, é bom despachar tudo assim numa manhã de sexta-feira, preparar aulas, lidar com burocracias aborrecidas, tratar do passaporte - deixa-me meter-te nojo: vou à turquia cantar a 8ª de mahler, ainda ter três horas de aulas que afinal foram uma e meia que afinal foram os cinco minutos do fim em que apresentei o que tinha a apresentar, só me faltou mesmo dar uma corrida, ou ir à natação, mas que se lixe, precisava mais de dormir do que de correr, caham caham, enfim, fazer isto tudo de manhã para amanhã poder ter um dia em que não penso em nada e não faço nada, amo só, é tão bom - o amor e este dia de pausa, devias experimentar, até parece que respiras melhor, estou com medo de falar demasiado cedo, mas parece que a primavera chegou, why do I have spring fever, when I know it isn't spring, pumba, assim já cá vêm parar mais quatro pessoas que não sabem o nome deste tema mas sabem um bocadinho da letra, google search, já estavas, começam a ler e ainda me visitam mais vezes, seja bem-vindo, com todo o calor brasileiro, hoje sinto-me mais, fui fazer o passaporte e parecia que era mesmo como a minha mãe me dizia quando era pequena: apesar de estares no meio de lisboa, este sítio é um bocadinho do brasil, eu não percebia muito bem, mas acreditava, é a minha mãe, bolas, foi um pouco estranho falar com sotaque de cá com toda a gente que lá estava, mas é assim, esta trinacionalidade tem destas coisas, pronto, agora vou começar a não fazer nada, até logo
08 abril 2013
verdes, mas chuva
Chiado são luiz santa apolónia chiado são luiz bacalhoeiro chiado são luís marginal casa
Estacionamento manhoso no largo do são carlos, descer e subir e descer e subir outra vez para chegar ao teatro, tu o homem mais bonito à porta, a luz dos teus olhos nas minhas calças amarelas, jazz por todo o lado, cheiro de erva na rua, voltas e voltas nos sentidos obrigatórios, não posso virar aqui porra, castelo de são jorge?, não era bem isso, pizza em santa apolónia, devia mesmo começar uma dietazinha, ou melhor, fazer desporto suficiente para poder comer o que me apetece, vinho, café, mais vinho, histórias de pessoas que partiram os dentes, de volta ao são luiz, 'afinal tenho ajudas de custo', isto hoje é para a festa, bacalhoeiro com mais jazz, uma sala cheia de gente alheia à música, no entanto, basta alguém bater uma palma para desencadear o aplauso educadamente curto, o reconhecimento breve de que, de facto, há ali músicos a tocar, cerveja, não posso beber mais, bebe tu a minha que tenho que conduzir para casa, à meia noite e meia toca o combo da esmae, bora aí, amanhã tenho piano às nove e meia, eu deixo-vos lá e sigo para casa, a rua de só uma direcção do são luiz não me deixa dar sentido ao último beijo, sentir o teu respirar de vinho quente na minha cara, a marginal está deserta, só apanho cinco sinais vermelhos em quarenta e sete, mas começa a chover, vou de vidros abertos de qualquer das maneiras, cheguei, dormir
30 março 2013
azeitonas
gordas, aqui ao meu lado, mesmo a pedir, ponho uma na boca, trinco com a familiaridade portuguesa o meio, roer o caroço até ficar só mesmo o caroço, deitar fora para outra loiça, recomeça,
caroço loiça recomeça
hoje queria pegar numa guitarra e escrever uns versos, irónico como não me tem apetecido e agora de repente apetece quando não tenho guitarra, de alguma maneira estou a tentar transpor isso para este texto,
estou no porto, gosto do porto, a boa energia generalizada das pessoas do norte envolve-me com generosidade,
energia generalizada generosidade, está bonito isto hoje
estou numa casa de gente que conheci há dois dias e já me ocupam assim um lugar na alma, gente de sorriso genuíno, de Dormem no meu quarto, de Queres mais uma cerveja, de Come estas azeitonas e este paté que o jantar ainda vai demorar, sei que estás com fome, é assim, há gente assim no mundo,
nesta casa há sempre música a dar, quase sempre jazz, dois saxofonistas que vivem juntos, um tem uma clave de sol no braço e uma etiqueta de roupa - não passar a ferro lavar em água fria secar a seco - no abdómen, de manhã - as manhãs começam às duas da tarde nesta casa - está ele em tronco nu a lavar a loiça, pergunta Café?, no seu português holandesado,
as manhãs começam às duas da tarde e as noites terminam às seis da manhã, quando chegámos cá eram três e meia, fomos directo para uma festa da esmae, dark trance a passar, suor, fumo e outros odores no ar do espaço pequeno, gente que cumprimenta com os olhos, esta gente do norte, querem saber quem somos, donde vimos, conversamos um bocado, mesmo sem nos conhecermos, alguma vez isto aconteceria em lisboa, sempre aquele momento incómodo em que o teu olhar se cruza com alguém e rapidamente o desvias, porquê?, nem sabes porquê, pois,
à pala dessa noite de chegada as noites acabam tarde e as manhãs são tardes, quero ver como é que na segunda para acordar às sete e escola e trabalhar, não pensar nisso agora,
há tanta coisa boa a acontecer, deixa-me aproveitar
caroço loiça recomeça
hoje queria pegar numa guitarra e escrever uns versos, irónico como não me tem apetecido e agora de repente apetece quando não tenho guitarra, de alguma maneira estou a tentar transpor isso para este texto,
estou no porto, gosto do porto, a boa energia generalizada das pessoas do norte envolve-me com generosidade,
energia generalizada generosidade, está bonito isto hoje
estou numa casa de gente que conheci há dois dias e já me ocupam assim um lugar na alma, gente de sorriso genuíno, de Dormem no meu quarto, de Queres mais uma cerveja, de Come estas azeitonas e este paté que o jantar ainda vai demorar, sei que estás com fome, é assim, há gente assim no mundo,
nesta casa há sempre música a dar, quase sempre jazz, dois saxofonistas que vivem juntos, um tem uma clave de sol no braço e uma etiqueta de roupa - não passar a ferro lavar em água fria secar a seco - no abdómen, de manhã - as manhãs começam às duas da tarde nesta casa - está ele em tronco nu a lavar a loiça, pergunta Café?, no seu português holandesado,
as manhãs começam às duas da tarde e as noites terminam às seis da manhã, quando chegámos cá eram três e meia, fomos directo para uma festa da esmae, dark trance a passar, suor, fumo e outros odores no ar do espaço pequeno, gente que cumprimenta com os olhos, esta gente do norte, querem saber quem somos, donde vimos, conversamos um bocado, mesmo sem nos conhecermos, alguma vez isto aconteceria em lisboa, sempre aquele momento incómodo em que o teu olhar se cruza com alguém e rapidamente o desvias, porquê?, nem sabes porquê, pois,
à pala dessa noite de chegada as noites acabam tarde e as manhãs são tardes, quero ver como é que na segunda para acordar às sete e escola e trabalhar, não pensar nisso agora,
há tanta coisa boa a acontecer, deixa-me aproveitar
22 março 2013
toda a gente lê?
um dois três
que história queres ouvir hoje?
um conto erótico, nunca experimentei escrever um desses
pelo menos para toda a gente ler
em verso desajeitado ou em prosa corrida?
baseado em pessoas e sítios reais ou em ideias da minha cabeça?
mistura das duas?
escrevo um texto eufemístico, poeta, metafórico
ou um texto rude, directo, explícito?
o que te excita mais?
já estou a plantar o bichinho, isto daqui a duas semanas - que agora só escrevo de semanas em semanas - já tem início, meio e fim,
uma vez escrevi assim:
'que se foda o equilíbrio, eu quero sempre tender para ti'
gostei da frase, sem falsas modéstias
desconexo, isto
desconectada, eu
merda.
já não sei escrever?
06 março 2013
não é interessante
olá olá, como vai, eu estou bem,
ai credo, venho praqui com vontade de escrever e não sai nada, será que dá a todos a vontade de escrever, 'ai estou mesmo aflitinho para escrever uma quadra' ou 'o que me apetecia mesmo agora era um soneto' ou 'quero-te, crónica'
estou a divagar
quero-te, já agora, quero sim,
num texto sem direcção acho bem por cá disto: 'o som é meramente consequência de um acto; pouco ou nada importam as notas',
tenho as lentes secas
dei oito horas de aulas
lancei todas as notas no programademerdasócódigosburocráticosparalançarumasnotas
amanhã.
amanhã é lufada de ar fresco
só por saber que vejo quem Amo
ai credo, venho praqui com vontade de escrever e não sai nada, será que dá a todos a vontade de escrever, 'ai estou mesmo aflitinho para escrever uma quadra' ou 'o que me apetecia mesmo agora era um soneto' ou 'quero-te, crónica'
estou a divagar
quero-te, já agora, quero sim,
num texto sem direcção acho bem por cá disto: 'o som é meramente consequência de um acto; pouco ou nada importam as notas',
tenho as lentes secas
dei oito horas de aulas
lancei todas as notas no programademerdasócódigosburocráticosparalançarumasnotas
amanhã.
amanhã é lufada de ar fresco
só por saber que vejo quem Amo
Assinar:
Postagens (Atom)